27 de junho de 2017

No escurinho da sala

Ainda anestesiado com a grande noite de S. João, a semana começou logo com uma consulta hospitalar de rotina, para ver se as minhas cataratas já estavam do tamanho das do Niágara ou, se ainda permaneciam do tamanho de um ribeiro qualquer em tempo de Verão.


A espera não foi muito longa, mas o novo sistema informático (mais um) instalado durante o fim de semana (segundo informação no local), estava a criar alguns problemas no atendimento e a colocar a cabeça das funcionárias e corpo clínico, em polvorosa.
Talvez por isso, o médico que me atendeu,  ainda eu não me tinha sentado, já estava a fazer uma dissertação relativamente ao programa informático, ás condições de trabalho dos médicos, as exigências (e objectivos) que lhes são feitas, enfim, um discurso do qual eu estou totalmente solidário e bastante conhecedor.


Até aqui tudo bem. O Dr. queria desabafar, era segunda-feira, a noite de S. João tinha sido recente (se calhar até esteve de serviço), o programa não o deixava trabalhar em condições… enfim, eu até compreendo, mas o problema é que ele estava com todo aquele discurso/desabafo, sem se calar um bocado, ao mesmo tempo que me fazia a consulta, ora pegando numas gotas e colocando nos meus olhos, depois uma data de aparelhos, e mexe aqui e mexe acolá, agora olhe para aqui, agora não pestaneje, e vamos lá ler o que está ali e agora aqui (mas tudo isto intercalado com a tal dissertação) … e eu a ver quando é que ele se calava, ou pior ainda, me enfiava alguma coisa que não seria de enfiar…


Felizmente a consulta chegou ao final, sem problema ou engano algum. O Dr., já sentado na sua cadeira (até ali esteve quase sempre de pé, à excepção de dois momentos em que esteve junto a aparelhos necessários na consulta), bem encostado, olha para mim e diz  «está tudo bem, ainda não é necessária intervenção cirúrgica, vamos só fazer uma pequena alteração nas lentes»,  ao que eu quase de imediato, me levanto para o cumprimentar e sair do gabinete, quando ele… 

-O meu amigo é casado?
- Sou sim, com uma colega do Dr…. 

- O quê, casado com uma médica? Ó coitada da Senhora. Médica? Coitada. Mas olhe, dou-lhe os meus parabéns pela sua paciência! Ou já estão divorciados? 
- Não, não estamos divorciados. Este ano fazemos 35 anos de casados. 

- Então os meus parabéns a dobrar, e já agora extensivos  à minha colega médica. Coitada... Médica. 
- Pode dar pessoalmente os parabéns. Ela está ali sentada, no cantinho escuro da sala, desde que eu  entrei.

- Oooooooops! Preciso de um café.



😆😛
Tudo de bom!



6 comentários:

  1. E o médico nem a viu? Se calhar as cataratas dele são maiores do que
    as suas.
    Um abraço

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  2. ahahah o doutor deve ter algum trauma com médicas!
    Bom fim de semana.

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  3. Lol.
    Isso parece uma piada!
    A tua mulher estava na sala??
    Claramente o teu médico está a passar por algo pessoal... e o divórcio é algo que lhe atingiu ou pode atingir...

    Por uns intantes, no início do teu relato, suspeitei que o meu médico de família que é do centro, foi parar ao porto Kkkk

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