24 de setembro de 2016

Galo na cabeça


O  meu casamento não teve as peripécias como o do meu amigo Agostinho, mas quando me lembro desse dia, há 4 coisas que me saltam logo à memória:  Chuva, Atraso, Perfume e … Porta.

Passo a explicar:


Não é todos os dias que um tipo se casa, por isso não vou esconder que estava algo nervoso e que mais nervoso fiquei quando comecei a constatar que devido à chuva intensa que caía e ao trânsito, eu ia chegar atrasado à casa da noiva, local onde se realizou a cerimónia. 



Quando cheguei e mal tinha começado a subir as escadas  de acesso ao andar, senti  no ar o perfume do meu pai… inconfundível, inesquecível,  e isso deu-me alguma tranquilidade. Ainda hoje consigo sentir aquela fragrância que ele usava… 



Mas, para aumentar ainda mais o atraso (e o nervosismo) e quando pensava ter recuperado alguma calma, sou “assaltado” por uma amiga e seu marido, que fizeram questão de ali mesmo, nas escadas, «deixa ver a cuequinha, deixa ver» (grandes malucos!).


Finalmente lá entrei em casa, com o Padrinho a empurrar-me e a sorrir, enquanto eu ainda apertava as calças…


Quem não gostou nada do atraso foi a representante da Conservatória, que só após a cerimónia, e depois de eu lhe ter dado um beijinho e oferecido um cálice de Porto, ficou mais bem disposta e sorridente.


O resto do dia correu como previsto… o almoço, as fotos, os sorrisos, o bolo, os brindes. 

Eu não estava à espera, e longe de imaginar, era que mais tarde, e já no quarto de um hotel na capital, eu fosse presenteado (a expressão correcta será AGREDIDO!) com uma porta na cabeça! Tal e qual!


Ainda hoje não sei se aquilo foi um acto de violência doméstica, um sinal de que “atenção, quem manda sou eu”, ou uma prova de amor de quem estava habituada a viver sozinha, e se esqueceu completamente que atrás de uma porta pode estar alguém, e naquele dia estava … o marido.


Faz hoje trinta e quatro anos,  e claro, vou estar atento porque… «gato escaldado de água fria tem medo».



- Obrigado Flores Grande, Juca, meu pai… obrigado por teres estado presente no meu casamento, teres espalhado o teu charme habitual e o teu perfume.

- Obrigado S. Pedro por teres “abençoado” aquela sexta-feira.



- Obrigado LF, meu amigo e padrinho de casamento, por conduzires o carro naquele dia chuvoso e com muito trânsito. Ainda bem que estacionamos e fomos a pé para a cerimónia…


- E claro, como não podia deixar de ser,  obrigado …  agressora! Obrigado por me aturares e “levares” comigo durante estes anos todos. Tenho a certeza que por algum motivo válido continuas deste lado, e que não será só pelos meus lindos olhos verdes, saber e gostar de dançar.

E pronto, prometo não voltar a falar desta história, mas é um dos efeitos colaterais do avançar da idade e do «
galo na cabeça».



Tudo de bom!

;)

:)

6 comentários:

  1. Feliz Aniversário. Que continuem a festejar a data juntos e com o mesmo amor. Grande abraço para os dois.
    Quanto às recordações eu também tenho umas quantas. Na verdade toda a gente tem. "As peripécias de um casamento" varia de casal para casal, mas estão sempre lá.
    Bom fim de semana

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  2. Espetacular!!! Muitos parabéns pelo matrimónio!! =)
    Beijinhos

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  3. Parabéns e que gozem muito mais juntos....

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  4. O milagre de uma vida boa chama-se amor.
    Parabéns

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  5. Realmente, viver só pode dar azo a certos comportamentos menos ortodoxos ( eu sei de quem marcou férias, sem se lembrar sequer deo marido) :)


    Muitasssssss felicidades !

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