14 de julho de 2016

Fazer esquecer

Tendo a possibilidade de gozar uns dias de férias, uma possibilidade que todos deveriam ter… necessárias para retemperar forças e  “carregar baterias”, tento procurar locais que não conheço ou então onde há muito tempo não vou.

Estar de férias não é sinónimo (para mim) de “desligar de tudo”, por isso estou atento a determinados pormenores que nos vão surgindo aqui ou ali, e mais uma vez pude constatar que o meu País tem tanto de bonito como de “abandonado”… e não falo em paisagens, condições de alojamento, restaurantes… falo naquilo que rodeia, ás vezes a própria localidade onde se passa, as estradas, a sinalética… Portugal não é só Porto, Lisboa, Algarve, Costa Vicentina… Turismo não é só copos, gourmets e festivais de rock.
Férias não é só praia…

Mesmo tendo estado de férias numa altura “eufórica”, em que todos, ou quase todos, surfavam numa onda desportiva, carregada de esperança, a verdade é que nem sempre pude constatar aquele brilho nos olhos de felicidade, em todos os que por razões profissionais se “cruzaram” comigo.


Nunca fui mal atendido ou servido, pelo contrário, fui sempre atendido por profissionais de categoria, que honram bem a classe a que pertencem. No entanto, por detrás daquele… ‘Bom dia, boa tarde, em que posso ajudar? Aceita uma sugestão? Gostaram da refeição? Boa noite até amanhã…’ vi muita tristeza e desalento escondido, mais ou menos disfarçado.


Constatei que grande parte daqueles profissionais de categoria, davam o seu melhor e que tudo faziam para servir bem o cliente, a troco de ordenados miseráveis. 
Chamar remuneração digna ao trabalho especializado efectuado, é um engano para não dizer um enorme insulto, pois aquilo que vi foi escravatura, exploração do homem pelo homem!  



«É a necessidade» dizia-me ‘A’… «se eu não aceitasse trabalhar nestas condições (12 a 15 horas por dia), alguém aceitaria…. Há sempre quem aceite. Folgas? Vou gozando algumas, mas ás vezes há muito trabalho e pedem para não gozar… mas não pagam e depois nem sempre é fácil gozar essas folgas que se vão acumulando, como o cansaço, o desespero, a desilusão. O ordenado?... esse também é sempre o mesmo, o mínimo nacional. O que me vale é que desta vez, estou com contrato de dez meses, mas há quem esteja com contrato de 1 e 3 meses.

Assim vamos sobrevivendo e… olhe, mais logo que ganhe Portugal, para nos fazer esquecer por momentos, esta vida»



foto by_NaNi


Tudo de bom!

:)
;)

6 comentários:

  1. Oh meu caro amigo, tens toda a razão, mas infelizmente Portugal parou no tempo e ficou assim!

    Bjxxx
    Ontem é só Memória | Facebook | Instagram

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  2. Oi meu amigo
    O texto é um desabafo e uma constatação do que de fato ocorre naõ só no seu País mas também no meu.Estamos atravessando um deserto onde falta o mais caro nos homens _o caráter que corroí todas as virtudes .
    E ,assim temos um governo tomado por gente desse nível.
    Obrigada por ser quem é _ além do bom amigo 'invisível' mas presente.
    grande abraço e boa continuação das férias merecidas .

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  3. "vamos sobrevivendo"...
    Gostei do blogue!

    with love,
    Utopia.

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  4. A precariedade salarial instalou-se quando mudaram tantas regras de empregabilidade. Tomara que as mudanças que se avizinham neste sector traga de volta algum alento. O que tem ocorrido até agora é um crime. Que se alastrou como um cancro pela sociedade portuguesa. Famílias inteiras na rua, desempregadas, ou com salários miseráveis, que têm de se sujeitar a esses abusos de horário sem remuneração... Tudo porque a lei que protegia os cidadãos foi alterada para poder ser manobrada pelos "grandes". A precariedade tem de acabar. Os contratos a mês têm de terminar. Ninguém consegue viver assim. Mas tem toda a razão no que diz: A pesar disso, o povo mantém o profissionalismo, a cordialidade e o sorriso.
    Sabe quem é que tende a não demonstrar estas características? Aqueles que detestam o que fazem mas o que fazem é algo fixo e monetariamente seguro. Queixam-se como rameiras sem clientes! Mas se tivessem de trabalhar sobre outras condições é que seria bonito de ver...

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